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29.04.2014

Cinco dias de música de qualidade em São João da Boa Vista

Reuniões de família acontecem com frequência na vida de qualquer um e, normalmente, são sempre grandes festas. Mas quando essa peculiar família decide se encontrar, a celebração é regada com uma avalanche impressionante de talento que qualquer outra gostaria de ter. Afinal, a bem-sucedida história da vigorosa família Assad começou lá década de 1950, com Seu Jorge (bandolinista autodidata) e a mulher Dona Ica (intérprete e amante das serestas).


A paixão pela música era tão forte, que eles conseguiram passá-la para os três filhos Sérgio, Odair e Badi. Mas o que talvez nem eles imaginassem era que todos os pupilos se tornariam referências musicais, com projeção e reconhecimento internacional. E não é só isso. Os netos de Seu Jorge e Dona Ica também foram “contaminados” e o privilegiado legado não para de crescer e ficar cada vez mais forte. A maioria mora no Exterior, principalmente nos Estados Unidos, cumprindo o papel de levar o melhor da música brasileira para os gringos. Mas em raras oportunidades, todos estão em terras tupiniquins, exibindo suas habilidades com a música instrumental para os conterrâneos.

Uma delas começa nesta sexta-feira (26), com a 2ª Semana Assad em São João da Boa Vista, a 216km da capital. Até terça-feira (30), o público poderá conferir shows de todo o Quintet Assad, composto pelo duo dos irmãos violonistas clássicos Sergio e Odair; pela criativa e multitalentosa instrumentista Badi; pela notável pianista e compositora clássica Clarice; e pela reconhecida cantora de MPB Carolina. Sem contar que outros importantes nomes da música vão participar do encontro, como Yamandu Costa, Fábio Zanon, Grupo Choro das 3, Hamilton de Holanda e André Mehmari e o Grupo Pau Brasil. E, o melhor, tudo foi organizado pela Associação dos Amigos do Theatro Municipal de São João da Boa Vista (Amite) e, por isso, tem entrada franca.

“Eu gosto de dizer que é um show de variedades”, brinca Clarice Assad, ao mesmo tempo que justifica a frase lembrando que cada membro da família produz algo diferente um do outro.
“Totalmente diferente, aliás”, completa o pai da pianista. “A tia Badi tem um estilo muito particular, faz uma world music. Depois tem o duo clássico. Eu toco piano e nem chego perto de um violão. Eu até queria saber, mas quando peguei um, meu avô ficou sem paciência comigo, porque eu errei algo e ele disse que eu não era boa. Todo mundo tem algo diferente, por isso que o legal é juntar essas diferenças. As sonoridades mudam muito. Não é aquela história de você vai ouvir violão, depois piano, depois os dois. Tem percussão, tem voz, tem uma suíte árabe. A gente tenta mesmo fazer combinações diferentes para se ajustar ao paladar do ouvido, se é que isso existe”, afirma Clarice.

Como dito pela pianista, na apresentação do quinteto, além do que eles normalmente fazem, a família preparou uma suíte que resgata a origem libanesa do famoso sobrenome. “Não conseguimos nos juntar para preparar coisas novas. Nossos projetos atuais estão todos ligados a música brasileira, mas a gente gosta de resgatar um pouquinho do sobrenome árabe. Apesar de não termos nenhuma relação com o Oriente Médio, nós fazemos uma visita musical por lá, uma espécie de resgate dos antepassados. Usamos os moldes árabes e misturamos com a música brasileira. É divertido fazer e é um tipo de coisa que não é qualquer um que pode se aventurar. A gente tem um respaldo que é a origem da família, que deixa tudo relevante”, acredita Sérgio.

Carreira internacional

A falta de espaço para os músicos no Brasil há algumas décadas foi a principal causa para todos conseguirem se consolidarem profissionalmente primeiro no Exterior, tocando e produzindo nos Estados Unidos e Europa muito mais do que por aqui. Tanto que, conta Sérgio, apesar de nos últimos anos eles terem se dedicado principalmente a projetos solos, uma turnê do quinteto já está programada pelos EUA no ano que vem. “Essa reunião será ótima, também, para discutirmos o que faremos no próximo ano. Podemos continua do mesmo jeito ou levá-la adiante como um projeto. Nunca pensamos: vamos fazer uma banda. Mas existe a ideia de fazer um quinteto da família e não é de hoje. Aliás, essa ideia existe desde 2004, quando fazíamos espetáculos em família. Na época, meu pai era vivo e a família era ainda maior. Chegou a ser um octeto, tendo meu outro filho junto também. Fizemos uma turnê pelos Estados Unidos, pela Europa, saiu um DVD desse projeto, porque era muito bonito, reunia três gerações no palco. Depois as coisas foram mudando e a família não atuou mais como família. Acho que está na hora de mudar.”

Ter uma carreira mais forte no Exterior do que no Brasil, para Badi, não é o cenário ideal. “Se eu falar que não incomoda eu estarei mentindo. Eu gostaria de ter uma estrutura maior no Brasil, justamente para não precisar estar sempre viajando. Pela história que eu tenho, eu pertenço a música brasileira. Na realidade, os próprios brasileiros pensam que eu moro fora do País, e isso não é verdade, eu moro aqui, no interior de São Paulo, em Atibaia. Eu sinto essa falta. Mesmo eu querendo trabalhar aqui, as coisas acontecem mais lá. Quando eu assumi as rédeas da minha carreira mesmo, eu coloquei a meta de fazer algo de verdade por aqui e comecei a entender os processos alternativos, fora da grande indústria, e a coisa está rolando, bem bacana aliás.”

Já Sérgio se sente mais confortável com o panorama. “Teve um período muito longo, quando a gente saiu do Brasil no começo dos anos 80, que ficamos afastados daqui até por opção, porque era tudo muito difícil. Na época que a gente estava aqui, tudo se arrastava de uma forma muito lenta. A gente foi fazendo a carreira fora, foi se consolidando fora, e paramos de atuar no Brasil. Era muito raro voltar. A partir de algum tempo para cá, talvez uns três ou quatro anos, a gente foi retomando as atividades, conseguimos uma pessoa que nos empresaria aqui e começamos a ter mais opções. Esse é um momento no Brasil que estão acontecendo mais coisas. Existem mais projetos, existem mais pessoas também, muita gente pensando coisas bacanas e elas estão acontecendo. Assim como existem mais apoios, incentivo. Não digo que seja o ideal, mas há mais possibilidades, isso é fato.” Oficinas

Uma programação especial ainda é reservada aos estudantes de música e músicos profissionais que desejam aprender com a experiência de seus ídolos. Para eles, a Amite reservou oficinas e master classes com alguns dos artistas convidados. Assim como os shows, as oficinas também são gratuitas, mas as inscrições eram limitadas e o prazo já terminou. Por isso, o interessado deve procurar a associação para checar se ainda há vagas disponíveis e quais são os critérios para participar.

Programação

Abertura da Semana, com Quintet Assad

Sexta (26), às 20h30

Yamandu Costa
Sábado (27), às 20h30

Fábio Zanon
Domingo (28), às 10h30

Choro das 3
(Corina Meyer Ferreira - flauta; Lia Meyer Ferreira - violão; Elisa Meyer Ferreira - bandolim)
Domingo (28), às 20h30

Hamilton de Holanda e André Mehmari
Segunda-feira (29), às 20h30

Grupo Pau Brasil
(Nelson Ayres, Teco Cardoso, Paulo Bellinati, Ricardo Mosca, Rodolfo Stroeter)
Terça-feira (30), às 20h30

Onde: Theatro Municipal (Pça da Catedral, s/n, Centro, São João da Boa Vista, fone: (19) 3631-7653)
Quanto: Entrada franca

Matéria: Fábio Trindade
Fonte: Portal IG e Jornal Correio Popular


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