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Festival Assad encerra edição dedicada a Cito Assad com público recorde e programação plural

O Festival Assad encerrou sua 14ª edição consolidado como um dos principais eventos dedicados à música instrumental no Brasil. Realizado no Theatro Municipal de São João da Boa Vista, o festival reuniu mais de 3,5 mil pessoas ao longo de cinco dias de programação gratuita, que incluiu dez apresentações musicais, três masterclasses e cinco oficinas com artistas de destaque no cenário musical contemporâneo.

Neste ano, a edição prestou homenagem ao músico Cito Assad, irmão mais velho de Badi, Sérgio e Odair Assad, cuja história inspirou o tema "Percussão". Autodidata no pandeiro e apaixonado pela música, Cito foi celebrado não apenas por sua trajetória, mas também pelo legado afetivo que deixou para a família.

Entre os destaques da programação estiveram o show do pandeirista Marcos Suzano, acompanhado por Guilherme Ge e Edu Neves, a apresentação de Guegué Medeiros Trio, o talento das jovens Sara Lucia e Maria Clara, do duo La Mayor y La Menor, Badi Assad e Sérgio Pererê e Clarice Assad e o Grupo Martelo, além da emocionante participação da Orquestra Brasileira Inclusiva (OBI), que levou o público a longos aplausos.

Para a diretora-geral do festival, Fafá Noronha, a homenagem a Cito reafirmou o propósito do evento de transformar vidas por meio da música e da inclusão. "Cito é citado por sua irmã Badi como o elo que os trazia de volta para casa e os lembrava do que realmente importava. O festival também carrega essa missão: incluir, acolher e fazer com que a música transforme pessoas. É um legado que queremos manter vivo e reverberar por muitas gerações."

Ela também anunciou o tema da próxima edição: “Em 2027, o festival será dedicado ao acordeon e às suas diversas vertentes. Tenho certeza de que será uma edição muito especial. Já estamos esperando o público de 21 a 25 de julho."

A diretora artística, Vânia Noronha, destacou a qualidade dos músicos convidados e o ambiente de troca proporcionado pelo evento."O festival mostrou, mais uma vez, como a música promove integração e inovação. Cada artista revelou possibilidades surpreendentes do seu instrumento. Além dos espetáculos, convivemos com pessoas extraordinárias de diferentes partes do mundo e todos saímos maiores dessa experiência."

Vale salientar que a edição de 2026 foi viabilizada integralmente por meio do ProAC Editais, após o Festival Assad ser contemplado entre os 20 projetos selecionados em um universo de mais de 700 inscritos. Classificado entre os dez primeiros colocados, o festival recebeu os recursos necessários para sua realização diretamente pelo edital, sem a necessidade de captação de patrocínio junto à iniciativa privada.

Homenagem emocionou família Assad

Durante o festival, a cantora e violonista Badi Assad compartilhou lembranças da convivência com o irmão homenageado e ressaltou sua influência na formação artística da família.

"Foi no quarto do Cito que conheci a música popular brasileira. Enquanto ele passava horas tocando pandeiro e ouvindo discos, eu descobria artistas como Chico Buarque, Djavan e Radamés Gnattali. Ele foi quem nos ensinou, todos os dias, o valor da simplicidade e do amor."

Badi também destacou a apresentação da Orquestra Brasileira Inclusiva e a importância da música como instrumento de inclusão."A música está presente em todos nós. Ela é sentida antes mesmo de ser compreendida. Ver pessoas com deficiência ocupando esse espaço artístico, felizes e participando plenamente, mostra como a arte é capaz de incluir e transformar."

Artistas destacam intercâmbio cultural

O percussionista Guegué Medeiros afirmou que participar do Festival Assad representa um reconhecimento ao trabalho desenvolvido na música instrumental. "É uma honra integrar um festival tão importante para a cultura brasileira. Além de aproximar o público da música instrumental gratuitamente, o evento abre espaço para artistas que muitas vezes não encontram visibilidade na grande mídia."

Rubén Zúñiga, integrante do grupo Martelo, também ressaltou o ambiente criado pelo festival."Foi uma experiência incrível. A energia do público, dos músicos e de toda a equipe técnica tornou essa participação ainda mais especial."

Público aprova programação

Frequentadora das oficinas, Isabella Dragão destacou que o diferencial do Festival Assad vai além dos espetáculos."As oficinas criam uma conexão entre quem ensina e quem aprende. Não é apenas assistir aos shows; existe uma verdadeira troca de conhecimento. A música une as pessoas, ultrapassa o tempo e o espaço."

A estudante de publicidade Maria Clara Gomes participou do festival pela primeira vez e saiu encantada."Não sei como passei tantos anos sem conhecer esse evento. Fiquei impressionada com a qualidade dos músicos e com a generosidade de compartilhar conhecimento nas oficinas e masterclasses. Com certeza estarei de volta na próxima edição."

Para o professor Dulcídio Braz Jr, que já acompanha o festival desde a primeira edição, todas as edições sempre foram marcadas pelo altíssimo nível artístico e técnico dos músicos convidados. “Em 2026 não foi diferente. Mas adorei, em especial, a diversidade dos estilos dos espetáculos e a sensível e tocante homenagem ao Cito Assad que amalgamou tudo em torno da percussão em suas mais diferentes vertentes. Vida longa ao Festival!"

Fotos: Wenderson Maldonado/ Fritz Fotografia